quinta-feira, 11 de agosto de 2011


Gamboa, um pequeno “grande” bairro

Texto e foto/Sylvia Maria (Jornal Noticiário dos Lagos – N° 602) – 06.08.11)


            Com apenas duas ruas principais, a Gamboa preserva as suas tradições incorporando inovações inerentes ao tempo presente. Inicialmente uma pequena comunidade dedicada à pesca artesanal, hoje o bairro congrega um forte pólo de moda praia sem perder as suas características.
(Foto: Canal da Gamboa abriga mais de cem embarcações)
            Nesta entrevista, Carlos Alberto Mendes de Araújo, o Beto, fala com exclusividade sobre o bairro, um dos mais antigos de Cabo Frio, localizado na margem oposta do Canal Itajuru que atravessa o centro da cidade:
- A Gamboa só tinha a rua de dentro, a José Rodrigues Póvoas, onde ficavam somente as casas na base do morro. Quando foi aterrada a parte da beira da lagoa, é que se criou a Rua Jorge Veiga e outro correr de casas, desde o começo da Gamboa, na Ponte Feliciano Sodré até o começo da Ogiva. E junto se formou, também, no meio da lagoa, um aterro que deu origem às Ilhas 1, 2 e 3, com casas de moradia de turistas.
A dinâmica do bairro funcionava em torno da pesca, movimentada pelas famílias tradicionais de pescadores, explica o presidente Beto, ciente de que a tecnologia se faz presente na pesca artesanal:
- Meu pai vai fazer 90 anos, meu avô já era da pesca, estamos a mais de 100 anos aqui. Eu tenho 46 anos, nascido e criado na Gamboa. Tenho cinco filhos e quatro netos. Dois filhos já estão diretamente na pesca, mas estudam, porque o importante não é só o trabalho; o estudo também, porque vem acrescer para eles ficarem mais preparados. A embarcação às vezes tem um sonar, uma sonda, um GPS, e tem que ter estudo para entender esses equipamentos. A pessoa pensa que é só na prática, e não é. E os manuais são escritos em inglês e para saber manusear o aparelho tem que ter estudo. 
Como presidente da Associação de Moradores, há dois mandatos, Beto aponta os progressos do bairro que tem vida própria e um comércio local que atende uma população com cerca de 4.800 moradores, segundo ele. São três padarias, farmácias, sorveteria, lanchonetes, lojas de material de construção, quitandas, mercadinhos, uma oficina de carros e quatro oficinas de jet ski.
            O bairro dispõe de um Posto de Saúde da Família, localizado na Rua José Rodrigues Povoas. A educação conta com a Escola Municipal Prof.ª Elicéa da Silveira, voltada para o 1° segmento do Ensino Fundamental (1° ao 5° ano). Segundo sua diretora, Prof.ª Dayse Ramalho, a unidade funciona com dois turnos e atende cerca de 280 alunos. Ao completar o 1° segmento, eles são encaminhados para a Escola Municipal Edilson Duarte ou para a Escola Estadual Aspínio Rocha, a mais antiga do bairro, que atende o 2° segmento do Ensino Fundamental.
            Além de uma quadra para o futebol, usada diariamente, o centro do bairro tem uma praça dotada de área de lazer, duas quadras esportivas e um playground. Ao seu redor e nas demais ruas, há templos e igrejas de várias congregações e denominações religiosas.
Completando o perfil da Gamboa, no início do bairro fica o Shopping dedicado à moda praia, ou “Rua dos Biquínis”. São aproximadamente 150 lojas, ou mais, voltadas para o setor ali e nas demais ruas do bairro, diretamente ou em galerias. Além do emprego no próprio comércio, como observa o presidente Beto, o setor também emprega mão de obra para o setor da fabricação, incluindo-se as facções. Ele apenas ressalva que é preciso que os empresários do ramo procurem dar, sempre, prioridade à mão de obra da Gamboa. 
Com a experiência adquirida em dois biênios, Beto não pretende vir de novo. Casado com Eliezer, presidente da Associação de Pescadores e Amigos da Gamboa, ele acumula muitas responsabilidades além da faina com embarcações e a pesca em algo mar.
- Às vezes se torna difícil. A gente corre atrás dos objetivos do bairro, mas as autoridades não correspondem imediatamente àquilo que pedimos. O que acontece? O morador pensa que nós não fomos buscar o que eles vieram pedir. Você mostra o comprovante de que foi lá, que a autoridade ouviu você e que vai atender, mas o morador fica na porta dele cobrando dez, vinte vezes de você.
No momento, o bairro reivindica algumas melhorias, como a poda das árvores e a alteração no horário da barca que faz a travessia do Canal Itajuru, para atender alunos e trabalhadores. Sem isso, é preciso atravessar a ponte a pé ou aguardar o ônibus, de manhã e à noitinha. Horário solicitado: início às 6h45 (saindo da Gamboa), sem interrupção na hora do almoço, e fechamento às 18h15 (saindo da Gamboa).
Um ponto positivo, relata o presidente, é o estacionamento logo na entrada do bairro, que passou por reforma da Prefeitura. A Associação reivindicou, sendo atendida, que os rapazes que ali trabalhavam, fossem mantidos. Por outro lado, como foi proibido estacionar no lado oposto, vários acidentes acontecem. Nesse sentido e em prol da segurança, sobretudo na temporada do verão quando a Rua dos Biquínis funciona além da meia-noite, o bairro pede uma maior proteção policial.

Desde já, estão todos convidados para o 4° Festival de Culinária da Pesca, evento da agenda oficial de Cabo Frio, nos dias 26, 27 e 28 de agosto.


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Saneamento básico beneficia população e ecossistema da lagoa


Foto/Sylvia Maria
Leg: Um dos seis esgotos que deságuam no canal da Gamboa
           
Em maio deste ano a Prolagos, concessionária de Água e Esgoto, iniciou na Gamboa, em Cabo Frio, a última fase das obras do cinturão coletor de esgotos no entorno da Lagoa Araruama. A etapa, concluída em julho, prossegue nos bairros Vinhateiro, Ogiva, Cajueiro e Jacaré para instalação de tubulação (3.450 m) e construção de quatro estações elevatórias de esgoto. Após a conclusão geral da obra, o esgoto produzido em áreas da margem esquerda do Canal Itajuru será captado e transportado, em tempo seco, para a Estação de Tratamento (ETE) do Jardim Esperança.
            A importância do conjunto dessas ações é inquestionável para a recuperação ambiental da lagoa de Araruama e o saneamento dos bairros, sobretudo o da Gamboa, onde seis esgotos despejam seu conteúdo na lagoa e no canal que separa o bairro das três ilhotas locais. Finda a obra, essas cloacas a céu aberto deverão ser eliminadas, espera-se que para sempre.
            No momento, a situação é drástica: a tubulação da Gamboa já não atende ao crescimento populacional local. Está velha, corroída e vaza por todos os lados. Quando a maré enche, ou chove muito, tudo que está dentro dos canos e/ou das manilhas reflui para o interior das residências.
            Como exemplo, o presidente da Associação de Moradores e Amigos da Gâmbia, Carlos Alberto Mendes de Araújo, mostra o esgoto localizado exatamente atrás da Escola Municipal Prof.ª Elicéa da Silveira. Além da sujeira despejada in natura no pequeno canal, o mau cheiro é insuportável e constante. Mas a obra, de grande porte, pouco significará se não houver uma política atuante de fiscalização por parte das prefeituras dos municípios no entorno da lagoa, erradicando os atuais esgotos e coibindo o aparecimento de outros.
            Uma menção positiva do presidente Beto, à Prolagos: a empresa retornou esta semana à Rua Jorge Veiga e refez o acabamento do asfalto, junto aos meios fios, onde havia um pequeno problema de desgaste provocado pelo reinício do fluxo de veículos interrompido durante as obras.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Venham malhar !

Sábado esportivo com muita adrenalina

No próximo sábado, dia 6, a partir das 9 horas, o projeto de ginástica “Vivo com Saúde”, uma iniciativa da Professora Rozane, vai realizar um grande evento comunitário de exercícios.

A concentração será na Rua Inglaterra, próximo ao PSF do Jardim Caiçara. Foram convidados os alunos do projeto que estarão reunidos com integrantes das Amigas da Mama, das Ondinas, da Hidroginástica da Prefeitura e de todas as comunidades que quiserem participar. 

Visitem o blog ginasticavivocomsaude.blogspot.com: > fotos, dicas de saúde e informações sobre o projeto. E-mail: zzzana@bol.com.br // Tel: 9811-8627.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Setor de Pesca tem melhoria na Gamboa

Rampa, estaleiro e fábrica de gelo dinamizam pesca artesanal da Gamboa

 
Texto e fotos: Sylvia Maria



 
Desde a inauguração do píer, em 2008, na área da Associação dos Pescadores e Amigos da Gamboa, bairro de Cabo Frio-RJ, situado ao longo do Canal Itajuru, o tradicional setor pesqueiro artesanal local ganhou um novo alento com essas duas obras da administração municipal. Mas, segundo Eliezer da Silva Araújo, presidente da Associação de Pescadores e Amigos da Gâmbia, este quadro positivo melhorou ainda mais com a inauguração da fábrica de gelo:
- O objetivo de termos essa fábrica foi aprimorar a nossa infraestrutura. O pescador, para tirar o barco do porto, precisa do básico que é o gelo, a água e o combustível. A água, felizmente, já temos e a benfeitoria foi a Prefeitura que fez. O barco pára para fazer a manutenção e, quando ele desce, ele pede para encher seus tanques. No mar eles precisam de água tanto para beber, como para cozinhar e fazer um café. Barcos menores, de boca aberta, levam um galão com 15 litros; outros, maiores, levam 30 litros, depende do porte da embarcação.
A presidente acrescenta que a presença da fábrica permite repassar ao pescador, com preço mais acessível, este artigo indispensável que é o gelo:
- Antes de acontecer a inauguração da fábrica, em 31 de maio passado, fizemos uma reunião para definir em R$ 2,00 o tabuleiro de “gelo escama” com 20 k. Seria viável para amenizar o bolso do pescador em R$ 1,50 porque o preço lá fora é R$ 3,50. Toda semana eu presto contas à diretoria. Até a semana passada, tínhamos vendido 636 tabuleiros (ou caixas) de gelo. Só que tem um entrave. Infelizmente não está vendendo mais porque a dragagem do canal, que está prometida desde o ano passado, ainda não foi feita. O canal está bem assoreado e o calado está com 40 cm, mais ou menos. Para ir pescar, o barco que está aqui só vai passar no máximo da maré alta; e o barco que quiser abastecer não consegue entrar. Isso faz com que a gente não tenha alcançado, ainda, a meta de repassar 150 tabuleiros por dia. (Na foto: Eliezer e Carlos Alberto da Silva Araújo)
Pelo contrato de apoio técnico, que termina em agosto, durante três meses a Associação não tem despesas com energia e água. Ainda não há um valor sobre o que deverá ser pago, mas a expectativa é grande, diz Eliezer:
- Não sabemos o valor e eu peço a deus para que dê para pagar tudo direitinho e sobrar alguma coisa pata a entidade. É com esse dinheiro, e o que arrecadamos com nosso Festival de Culinária da Pesca, que compramos equipamentos para uso na rampa. 

Não há nenhuma dúvida de que a Associação prosperou em termos qualitativos, graças ao apoio recebido da Prefeitura de Cabo Frio, através da Coordenadoria Geral de Indústria, Comércio, Trabalho e Pesca, seu Departamento de Pesca e demais secretaras e órgãos; graças também ao apoio da Capitania dos Portos, em Cabo Frio; ao Ministério da Pesca e à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca do Rio de Janeiro; demais órgãos e instituições afins. (Na foto a fábrica de gelo)
A rampa é muito procurada pelos preços acessíveis que cobra, para pescadores artesanais, para a subida de barcos de boca aberta (R$ 30,00) e com casaria e convés (R$ 50,00), bem mais em conta que o praticado em estaleiro particular. O filiado tem direito a três dias de estadia, tempo para tirar as cracas dos cascos e pintar com tinta envenenada. Ele tem direito a carregar a bateria da embarcação com o aparelho adquirido que atende cinco de uma vez e a abastecer com água. O não associado vai contribuir durante os três dias de estadia com uma taxa de 20¢ em cima do valor da subida.
Os equipamentos adquiridos, após reunião da Associação, incluem: extintores de incêndio (CO2 e espuma); uma terceira carreta; um deck de madeira secundário para facilitar o abastecimento de gelo nas embarcações; lavadora (para não usar palha de aço que polui o meio ambiente e danifica a pintura); guindaste para até 10 toneladas; guincho com redução (de 2ª mão, em bom estado); aparelho de solda;
A presidente Eliezer lembra que a Associação procura sempre acompanhar vários cursos, seja na área náutica, seja na área do aproveitamento do pescado. Sonhando com a instalação de uma cozinha comunitária, para que a comunidade possa comercializar os seus pescados, já foi adquirido um moedor em inox que permite o preparo de embutidos, hambúrgueres, croquetes e nuggets. A prosperidade ainda não foi alcançada, mas o que foi realizado já trouxe muitos benefícios à comunidade – destaca Eliezer.

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Na rampa são muitos os pescadores que se dedicam aos reparos e à manutenção de embarcações. Três falaram sobre suas atividades.
Francisco Correia, do bairro Jardim Caiçara, é pescador artesanal. Ainda não se associou, mas vai fazê-lo. No momento, às voltas com a reforma e manutenção de uma embarcação, ele aprova a rampa da Gâmbia:
- Essa rampa é uma ótima coisa para nós, pescadores. Ficou muito mais fácil pescar e, nos intervalos da pesca, fazer os reparos que todo barco precisa para bem funcionar. É uma garantia para nós, no mar. 
Gilberto Pereira de Souza, natural do Rio de Janeiro e atualmente morador do bairro Jacaré, em Cabo Frio, explica porque se tornou “amigo” da Associação:
- Gosto de pescar e de embarcação. Tenho meu barco n Rio que estou trazendo para cá; eu me associei e já tenho uma bóia para colocá-lo. É uma forma também de contribuir e ajudar a Associação porque, na época, eles estavam no início aqui da rampa e se organizando.
Samuel Mendes de Araújo, filho de Carlos Alberto e Eliezer, vai seguir a tradição de pelo menos quatro gerações. Estudante do 1° ano do Ensino Médio, ele conta que já é pescador nos intervalos do estudo. Consciente da possibilidade de seguir um curso técnico ou superior, ele fez esta opção:
- Eu estudo no horário da manhã, chego do colégio ao meio-dia e almoço. Depois saio às vezes para pescar com meu irmão, no mar aberto, voltamos à noite. Não é uma profissão assim, boa, mas eu gosto de pescar.
 Nos dias 26, 27 e 28 de agosto será realizado, no espaço anexo à rampa, o 4° Festival de Culinária da Pesca, que já consta da agenda oficial de eventos de Cabo Frio. Antes disso, no dia 30 de julho haverá reunião preliminar com os produtores – famílias que ocuparão estandes durante o Festival – para iniciar a organização da grande festa. No dia 31 de julho, haverá o sorteio de equipamentos diversos para os pescadores artesanais em dia com a Associação, como: apetrechos de pesca, kit-cola, capas, galochas e encerados, entre outros artigos.





(Na foto: Rampa e estaleiro da Associação de Pescadores e Amigos da Gamboa)
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