terça-feira, 2 de agosto de 2011

Setor de Pesca tem melhoria na Gamboa

Rampa, estaleiro e fábrica de gelo dinamizam pesca artesanal da Gamboa

 
Texto e fotos: Sylvia Maria



 
Desde a inauguração do píer, em 2008, na área da Associação dos Pescadores e Amigos da Gamboa, bairro de Cabo Frio-RJ, situado ao longo do Canal Itajuru, o tradicional setor pesqueiro artesanal local ganhou um novo alento com essas duas obras da administração municipal. Mas, segundo Eliezer da Silva Araújo, presidente da Associação de Pescadores e Amigos da Gâmbia, este quadro positivo melhorou ainda mais com a inauguração da fábrica de gelo:
- O objetivo de termos essa fábrica foi aprimorar a nossa infraestrutura. O pescador, para tirar o barco do porto, precisa do básico que é o gelo, a água e o combustível. A água, felizmente, já temos e a benfeitoria foi a Prefeitura que fez. O barco pára para fazer a manutenção e, quando ele desce, ele pede para encher seus tanques. No mar eles precisam de água tanto para beber, como para cozinhar e fazer um café. Barcos menores, de boca aberta, levam um galão com 15 litros; outros, maiores, levam 30 litros, depende do porte da embarcação.
A presidente acrescenta que a presença da fábrica permite repassar ao pescador, com preço mais acessível, este artigo indispensável que é o gelo:
- Antes de acontecer a inauguração da fábrica, em 31 de maio passado, fizemos uma reunião para definir em R$ 2,00 o tabuleiro de “gelo escama” com 20 k. Seria viável para amenizar o bolso do pescador em R$ 1,50 porque o preço lá fora é R$ 3,50. Toda semana eu presto contas à diretoria. Até a semana passada, tínhamos vendido 636 tabuleiros (ou caixas) de gelo. Só que tem um entrave. Infelizmente não está vendendo mais porque a dragagem do canal, que está prometida desde o ano passado, ainda não foi feita. O canal está bem assoreado e o calado está com 40 cm, mais ou menos. Para ir pescar, o barco que está aqui só vai passar no máximo da maré alta; e o barco que quiser abastecer não consegue entrar. Isso faz com que a gente não tenha alcançado, ainda, a meta de repassar 150 tabuleiros por dia. (Na foto: Eliezer e Carlos Alberto da Silva Araújo)
Pelo contrato de apoio técnico, que termina em agosto, durante três meses a Associação não tem despesas com energia e água. Ainda não há um valor sobre o que deverá ser pago, mas a expectativa é grande, diz Eliezer:
- Não sabemos o valor e eu peço a deus para que dê para pagar tudo direitinho e sobrar alguma coisa pata a entidade. É com esse dinheiro, e o que arrecadamos com nosso Festival de Culinária da Pesca, que compramos equipamentos para uso na rampa. 

Não há nenhuma dúvida de que a Associação prosperou em termos qualitativos, graças ao apoio recebido da Prefeitura de Cabo Frio, através da Coordenadoria Geral de Indústria, Comércio, Trabalho e Pesca, seu Departamento de Pesca e demais secretaras e órgãos; graças também ao apoio da Capitania dos Portos, em Cabo Frio; ao Ministério da Pesca e à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca do Rio de Janeiro; demais órgãos e instituições afins. (Na foto a fábrica de gelo)
A rampa é muito procurada pelos preços acessíveis que cobra, para pescadores artesanais, para a subida de barcos de boca aberta (R$ 30,00) e com casaria e convés (R$ 50,00), bem mais em conta que o praticado em estaleiro particular. O filiado tem direito a três dias de estadia, tempo para tirar as cracas dos cascos e pintar com tinta envenenada. Ele tem direito a carregar a bateria da embarcação com o aparelho adquirido que atende cinco de uma vez e a abastecer com água. O não associado vai contribuir durante os três dias de estadia com uma taxa de 20¢ em cima do valor da subida.
Os equipamentos adquiridos, após reunião da Associação, incluem: extintores de incêndio (CO2 e espuma); uma terceira carreta; um deck de madeira secundário para facilitar o abastecimento de gelo nas embarcações; lavadora (para não usar palha de aço que polui o meio ambiente e danifica a pintura); guindaste para até 10 toneladas; guincho com redução (de 2ª mão, em bom estado); aparelho de solda;
A presidente Eliezer lembra que a Associação procura sempre acompanhar vários cursos, seja na área náutica, seja na área do aproveitamento do pescado. Sonhando com a instalação de uma cozinha comunitária, para que a comunidade possa comercializar os seus pescados, já foi adquirido um moedor em inox que permite o preparo de embutidos, hambúrgueres, croquetes e nuggets. A prosperidade ainda não foi alcançada, mas o que foi realizado já trouxe muitos benefícios à comunidade – destaca Eliezer.

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Na rampa são muitos os pescadores que se dedicam aos reparos e à manutenção de embarcações. Três falaram sobre suas atividades.
Francisco Correia, do bairro Jardim Caiçara, é pescador artesanal. Ainda não se associou, mas vai fazê-lo. No momento, às voltas com a reforma e manutenção de uma embarcação, ele aprova a rampa da Gâmbia:
- Essa rampa é uma ótima coisa para nós, pescadores. Ficou muito mais fácil pescar e, nos intervalos da pesca, fazer os reparos que todo barco precisa para bem funcionar. É uma garantia para nós, no mar. 
Gilberto Pereira de Souza, natural do Rio de Janeiro e atualmente morador do bairro Jacaré, em Cabo Frio, explica porque se tornou “amigo” da Associação:
- Gosto de pescar e de embarcação. Tenho meu barco n Rio que estou trazendo para cá; eu me associei e já tenho uma bóia para colocá-lo. É uma forma também de contribuir e ajudar a Associação porque, na época, eles estavam no início aqui da rampa e se organizando.
Samuel Mendes de Araújo, filho de Carlos Alberto e Eliezer, vai seguir a tradição de pelo menos quatro gerações. Estudante do 1° ano do Ensino Médio, ele conta que já é pescador nos intervalos do estudo. Consciente da possibilidade de seguir um curso técnico ou superior, ele fez esta opção:
- Eu estudo no horário da manhã, chego do colégio ao meio-dia e almoço. Depois saio às vezes para pescar com meu irmão, no mar aberto, voltamos à noite. Não é uma profissão assim, boa, mas eu gosto de pescar.
 Nos dias 26, 27 e 28 de agosto será realizado, no espaço anexo à rampa, o 4° Festival de Culinária da Pesca, que já consta da agenda oficial de eventos de Cabo Frio. Antes disso, no dia 30 de julho haverá reunião preliminar com os produtores – famílias que ocuparão estandes durante o Festival – para iniciar a organização da grande festa. No dia 31 de julho, haverá o sorteio de equipamentos diversos para os pescadores artesanais em dia com a Associação, como: apetrechos de pesca, kit-cola, capas, galochas e encerados, entre outros artigos.





(Na foto: Rampa e estaleiro da Associação de Pescadores e Amigos da Gamboa)

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